Cópia de Modernidade Sem Planejamento: O caos da Mobilidade pernambucana
Marília Arruda, Doutora em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável, Mestra em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Especialista em Gestão Ambiental Urbana, Turismóloga e Gestora Ambiental. Criadora do Goles de Ciências Recife.

A mobilidade urbana é um grande desafio nesse contexto, sobretudo nas grandes cidades.
É inegável e consenso mundial que, diante de toda a problemática das mudanças climáticas e dos fatores que contribuem para a diminuição dos níveis de emissão de gases de efeito estufa (GEE), a transição energética e o uso de veículos que não utilizem combustíveis fósseis são fundamentais.
Recife, com sua mania de grandeza, também não fica atrás nesses índices e, em 2025, consolidou-se como um dos piores cenários de mobilidade urbana no Brasil, sendo frequentemente citado como o trânsito mais lento do país, com média de 58 minutos para percorrer 10 km. Dados de 2025 também apontam a capital pernambucana com o 4º pior tempo de espera por transporte público, além de um alto índice de insatisfação dos usuários.
Já faz parte da rotina da cidade, quase semanalmente, o metrô da capital pernambucana quebrar e apresentar falhas, contribuindo ainda mais para o caos da cidade. Além donque, não atende a toda a cidade, há poucas linhas, interligando Jaboatão, Camaragibe e partes das zonas Sul e Central do Recife.
Outro problema sério são os ônibus que tem frota que não atende a demanda, demorando a passar nas paradas e que demoram em média 55 minutos nos deslocamentos. A cidade tem o quarto pior índice do Brasil, perdendo apenas para Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. Os dados são do Relatório Global sobre Transporte Público 2024, realizado pela Moovit, empresa e aplicativo de mobilidade urbana.
Mobilidade urbana sustentável seria o ideal para amenizar a emissão de GEE. Segundo dados da Ameciclo, na cidade do Recife, 80% das pessoas utilizam a bicicleta. Seria coerente que 80% dos recursos também fossem destinados à adaptação das vias com ciclovias e ciclofaixas. Mas não é o que acontece na prática.
Chegaram recentemente ao Recife os patinetes elétricos, tão utilizados fora do país e em outras capitais brasileiras. Fiquei me perguntando como seriam as fiscalizações, orientações e fluidez dessas novidade.
Não demorou muito para serem roubados, depredados, jogados no rio Capibaribe e, como se não bastasse, a imprudência de quem os utiliza e a falta de educação já indicam que teremos números alarmantes de acidentes. É um desfile de imprudências: 2 pessoas no mesmo patinetes, condutores sem capacete, circulam com velocidade superior ao permitido e até já vi adolescentes conduzindo os patinetes. Não é difícil encontrar jogados em calçadas e até no meio da rua, ao contrário de onde deveriam estar estacionados.
Recentemente, um amigo, ativista da mobilidade sustentável e ciclista, foi vítima de uma dessas imprudências. Um condutor de patinete, na contramão da ciclovia, entrou em alta velocidade na ciclovia da Rua Amélia e causou um grave acidente: ele teve a perna quebrada e precisou passar por uma cirurgia no cotovelo.
E aí, quem fiscaliza? Quem é responsável? Quem educa? Quantos acidentes a mais serão necessários para os patinetes não virarem os vilões da mobilidade sustentável?
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